A mais pequenina
Princesa
quinta-feira, 16 de abril de 2026
Ribeira Grande de Santo Antão
domingo, 13 de julho de 2025
Os
judeus também são cruéis
Na minha adolescência “devorei”
quase todos os livros que na altura se escreviam sobre a II Guerra Mundial. Vivíamos,
então, vinte e cinco anos após o fim aquele
tragédia, liderada por Hitler. Dos muitos livros que li, dois marcaram-me: a
25ª Hora e o Treblinka. Num deles, já não sei qual, contava-se que os judeus
cantavam o “Coro dos Escravos” quando caminhavam
ao encontro das câmaras de gás, melhor falando, ao encontro da morte.
Uma guerra é sempre hedionda mas
a dimensão do genocídio, o Holocausto, promovido pelo bandido alemão foi
assustadora e, porventura, ímpar até aquela data.
Segundo o Antigo Testamento,
José, o filho de Jacob[1],
bisneto de Abraão, foi pelos irmãos vendido a mercadores que o levaram o
Egipto, arrastando neste gesto toda a família hebraica. Sim, porque pouco tempo
depois, alguns irmãos de José iriam ao Egipto em busca de cereais e,
surpreendentemente, ali o encontrariam como um líderes da casa egípcia. Por
centenas de anos ali se fixaram, agora como escravos, sendo pela liderança de
Moisés que retomariam à Terra Prometida.
Só que agora já não havia a prometida terra, mas sim a Palestina.
Por via da injustiça e
desumanidade de que foram alvo na II Guerra, os judeus/hebreus ganharam mais atenção
e respeito em todo o mundo de tal foram que em 1948 lhes foi forjado um Estado,
o de Israel; e a Palestina, aos olhos do mundo, ficou secundarizada, para
muitos ocupada.
Hoje, o líder de Israel, faz aos
seus vizinhos palestinianos , exactamente o mesmo que Hitler fez ao povo judeu.
No tempo em que lia os livros sobre a II Guerra
pensava para comigo que bandidos como Hitler já não voltariam para fazer sofrer
o mundo…
Bem me enganei! Muitos houve
depois dele, mas ver o líder israelita avançar com um genocídio contra os
Palestinos e perante a passividade do Mundo, só apetece esquecer o Holocausto.
Mas claro, não se pode.
A Vida é dolorosa em muitas latitudes do planeta.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2025
Auschwitz 80 anos depois
Passam hoje oitenta anos que o campo de concentração alemão foi
encerrado e, com ele, a matança de seres humanos.
A humanidade viveu a realidade da organizada matança de homens
por outros homens. O ódio, o racismo, e em particular anti-semitismo, levaram à morte mais de seis milhões
de pessoas, desde bebés e crianças até ao mais idoso dos desgraçados. No
coração da Europa viveu-se o escarro mais asqueroso que o Homem jamais poderia
imaginar, onde os judeus caminhavam para
a morte, ao encontro das câmaras de gás, cantando o Coro dos Escravos. “Se isto é um homem”, como escreveu Primo Levi,
prisioneiro Buna-Monowitz
é a interrogação maior do Homem de boa-fé.
Mas os tempos que vivemos não são menos preocupantes, por incrível
que possa parecer.
Sim, assustemo-nos com a realidade de hoje da humanidade.
Desde logo, na mesma Alemanha, onde a extrema-direita neo-nazi
está a um passo de voltar ao poder; quem diria, meu Deus!
Olhemos para a América dos dias de hoje. A deportação em
bloco de inocentes levada a efeito com modos desumanos, como foi o caso de
prisoneiros algemados devolvidos ao Brasil. E de lá vêm imagens preocupantes de
gente do poder a assumir e a comunicar com recursos a sinais nazis. Eis a política do racismo
avançar e a galopar de forma tão desumana quanto preocupante.
E da Rússia veio a invasão da Ucrânia, com a consequente
matança de inocentes. Aqui tão perto de nós…
Por isso me enoja que tenhamos também em Portugal gente que defende
estes princípios e métodos e, alguns deles, ordinariamente, em nome dos santos
Evangelhos.
O impensável pode desgraçadamente voltar a ser possível?
Sim, pode voltar a repetir-se.
A humanidade perdeu a memória?
“Vai,
pensamento, sobre as asas douradas
Vai,
e pousa sobre as encostas e as colinas
Onde
os ares são tépidos e macios
Com a
doce fragrância do solo Natal”
segunda-feira, 28 de outubro de 2024
Todos merecemos um raio de esperança; brancos e não brancos
São no mínimo indignas e um nojo, as recentes declarações promovidas no parlamento por gentalha que ali chegou fruto da democracia que o Povo lhe ofereceu.
É verdadeiramente alarmante ouvir indivíduos eleitos a incutirem o espírito do racismo, do ódio, da vingança e até da matança. Há 50 anos que o 25 de Abril acabou com o sentimento de posse que alguns tinham sobre os territórios africanos e orientais. Nós éramos os donos dos pretos como então muitos ousavam dizer.
O racismo é o estertor de alguma comunidade que se sente superior, porque teve a bênção de Deus de ter nascido branco e o outro de ser não branco; nada mais ordinário, nada mais vil assim pensar, como se algum ser humano fosse senhor de escolher a sua origem ou a sua raça.
É trilhando e aproveitando o caminho da democracia, que esta gente tem por fito conseguir a sua ditadura. A ditadura onde só os puros da brancura têm direito ao sol que nasce. A tal ditadura que para eles é um desígnio dos céus, o mesmo céu que diz “não matarás”.
Vivo na esperança de que essa gente mesquinha e sem laivos de humanismo, um dia saberá respeitar a nossa história recente; a história dos nossos pais e dos nossos avós que “foram os pretos” de outras nações; precisamente porque a ditadura de Salazar lhes deu a pobreza e a miséria empurrando-os em busca da esperança, a mesma esperança dos nossos imigrantes.
Hoje sinto-me cabo-verdiano; faço parte daquele nobre povo que tem orgulho nas suas lusas raízes. São filhos das escravas da costa africana e dos colonos portugueses, que assim, no séc. XV deram origem à nação crioula. E que nação!
terça-feira, 22 de agosto de 2023
"Vamos falar da nossa história”
Assim nasceu Portugal
Não há certezas se o
primeiro rei de Portugal nasceu em Guimarães ou Viseu… ou mesmo Coimbra.
Fosse onde fosse, era
filho de D. Henrique, conde de Portucale e de Teresa de Leão. Ficou órfão de
pai muito cedo, (aos três anos) sendo Egas Moniz, nobre culto, o seu “criador”
e que veio a ser seu aio. Quando adolescente, a forte aliança de sua mãe ao
conde galego de Fernão Peres de Trava complicou a relação entre ambos o que
levou à tão badalada história de que D. Afonso bateu na mãe. Não terá sido
assim, mas a batalha de S. Mamede, em 1128, entre as hostes de D. Afonso Henriques
e as de D. Teresa, levaram a essa terminologia. E ganhou Afonso; fruto dessa
vitória o condado portucalense evoluiu para a independência de onde nasceu
Portugal.
Note-se a curiosidade:
a independência foi implicitamente aceite em 5 de Outubro de 1143 no célebre
Tratado de Zamora; a longa monarquia portuguesa que dele resultou só caiu a 5
de Outubro de 1910, para dar lugar à república. Durou 767 dos 880 anos que tem
Portugal.
Afonso Henriques era
alto, forte e, também por isso, foi um lutador e grande conquistador. Eloquente
diplomata foi rei de Portugal durante 46 anos, um dos reinados mãos prolongados
de toda a monarquia portuguesa.
Morreu em 1185 e está
sepultado em Coimbra, na Igreja de Sta. Cruz, que foi edificada durante o seu
reinado. Na mesma capela-mor da Igreja, do lado oposto, está sepultado seu
filho D, Sancho I.
Eis, pois, D. Afonso
Henriques, o Conquistador.
António Rodrigues
segunda-feira, 8 de novembro de 2021
Eleições
– sim ou não?!
A
política, como tudo na vida, é feita e é fruto de contextos, muito em
particular, os sociais. Por isso se percebeu, ou muitos perceberam, a lógica da
“geringonça”, que teve o seu tempo e a sua razão de ser. E que até terá
resultado, no cumprimento das expectativas que foram criadas.
Hoje,
os tempos são outros e os contextos políticos totalmente diferentes, desde logo
porque Portugal está em vias de acolher as maiores tranches financeiras da sua
história, que ultrapassam em muito, o fartote da vinda do ouro do Brasil no
tempo de D. João V. Ora, esta realidade, obriga-nos a olhar o futuro do país com
outros horizontes e outro tipo de ambições.
Somos
um país que tem um milhão e oitocentos mil cidadãos que vivem a pobreza, muitos
deles no limiar da miséria. Somos o único país da União Europeia que é
governado com dependência efectiva das vontades, ainda que pontuais, dos
comunistas, da extrema-esquerda e, não é demais lembrar, dos defensores dos
animais. A questão que se coloca é saber se é também com esses parceiros
políticos que Portugal quer enfrentar o seu futuro e planear o desafio do Plano
de Recuperação e Resiliência. O Orçamento de Estado, dizem os entendidos, pouco
importância dá às empresas e, dizem os que ouvem bem, que o ministro da tutela,
pouco tempo perdeu a falar desse mesmo orçamento e da interacção que esse
documento deveria ter com o mundo empresarial português. Aliás, é o ministro
que faz parte de um governo que ignorou ou se esqueceu de ouvir os
representantes dos patrões, em decisões em que as empresas eram literalmente
atingidas.
É
neste cenário que se discute um orçamento que desgraçadamente não vai reduzir o
número vergonhoso dos pobres da nação. Haverá eleições antecipadas? Pouco ou
nada interessa, se sim, se não, pois tudo se manterá mais ou menos como está, a
não ser que se “chegue” ao ponto da extrema-direita vir a ser força política
preponderante no país…
Tudo isto é preocupante! Tudo isto é o país
que somos para oferecer aos nossos filhos e netos, envolto numa das maiores
dívidas da união europeia: a portuguesa.
E
isto não é pessimismo, antes triste realidade que assusta… e muito!
8 de Novembro de 2021
sexta-feira, 25 de setembro de 2020
25 de Setembro
A Guerra Colonial
Moçambique foi a terceira ex-colónia portuguesa a provocar a sua luta pela independência pois, antes dela, já Angola e a Guiné-Bissau viviam o pesadelo da luta pela libertação. Angola iniciou-a em 1961 e, a Guiné-Bissau, em 1963.
A 25 de Setembro de
1964 Moçambique juntava-se às outras províncias ultramarinas, provocando a
guerra colonial, atacando o posto administrativo de Chai, no Distrito de Cabo
Delgado; era a Frelimo a iniciar a luta pela independência da sua nação.
Nestas três frentes de
guerra muita gente perdeu a vida, muito em especial jovens. Portugal viu perder
8600 dos seus filhos, numa guerra tão injusta quanto estúpida… como todas as
guerras.
O cessar-fogo com Moçambique ocorreu a 7 de Setembro de 1974, no chamado acordo de Lusaka, assinado por Mário Soares e Samora Machel onde, implicitamente, ficou reconhecida por Portugal a independência da sua colónia. Foram mais de quatro séculos de presença portuguesa naquele território.
António Rodrigues
domingo, 15 de dezembro de 2019
sábado, 10 de março de 2018
Este homem, pela sua forma de comunicar, mais parece uma enciclopédia falante, um símbolo da história viva de Portugal.
domingo, 4 de março de 2018
Foi o caso…
O concelho precisa de obras e de intervenções porque delas também dependerá alguma dinâmica empresarial e capacidade empregadora, quer local, quer regional.
Pela primeira vez, desde que há apoios comunitários, que um executivo torrejano consegue viver durante quatro anos sem levar por diante uma única intervenção de sua iniciativa e responsabilidade e com alguma expressão, sem recurso a dinheiros provenientes de uma candidatura comunitária.
Deixando de ser a fonte seca, é olhar também em torno da cidade e limpar e recuperar o que abandonado está… é só abrir os olhos, haver vontade e autoridade para a limpeza das avenidas, onde proliferam arbustos que invadem passeios e incomodam utentes.
Há quem tenha saudades de, da 8 de Julho, vislumbrar a Várzea dos Mesiões, para não falar, por agora, na Andrade Corvo e no seu estado.
E se assim for, já será positivo….
domingo, 3 de dezembro de 2017
O meu Pai é calceteiro.
Ainda muito jovem, veio do Pinheiro no concelho de Ansião, até Torres Novas e por cá ficou e casou.
É artista da pedra.
Foi assim durante 75 anos de trabalho.
Nasci e aprendi a vê-lo dobrado sobre si mesmo, com a dureza da profissão, a partir pedra e a calcetar.
Aquelas costas apanharam milhares de horas de sol, de chuva e de frio. A trabalhar no “duro” para o sustento da casa. Sem nada reivindicar e sem nada exigir.
Por aquelas mãos passaram milhões de pedras, para fazer calçada portuguesa. Para fazer arte; a arte dos pobres, mas arte.
Quando garoto, recordo-o a chegar a casa, na sua pequena motorizada Sachs Minor, cansado após oito horas de labuta, mas sempre com uma confiança que a todos nos transmitia. Nunca, mas nunca faltou ao trabalho, porque também a felicidade da sua saúde assim o permitiu.
Foi dobrado e de pedra na mão, que faz ferida e calos, que a todos nos educou e preparou para a vida.
Hoje, com 86 anos, saiu de sua casa, a 40 km de Torres Novas. Veio a conduzir a sua carrinha de trabalho. Nela trazia pedra de calcário e granito. E o seu martelo…, claro.
Veio à nova casa da sua neta mais velha, a Rita, para deixar no chão e para sempre oferecer, o símbolo da sua arte. Casa, com carga emocional bem expressiva, porque nela vivemos, entre os meus quatro e oito anos de idade. No tempo em que em torno dela só havia oliveiras e figueiras… e a eira do Barreirá… mistérios da vida, estas coincidências…
Chegou cedo e, passadas seis horas, com óbvio intervalo para o almoço, deixou à neta a pequena obra de arte, que as fotos revelam. E fê-la com carinho, ternura e vaidade, porque para a neta; a sua neta mais velha.
O meu Pai é assim: artista da pedra.
Homem de trabalho, o Sr. Acácio Rodrigues
Obrigado Pai.
António Rodrigues
27.09.2017
domingo, 5 de março de 2017
Desculpe Presidente Mário Soares
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
Viva as Fontainhas
Acabei de saber, pelo meu amigo e grande Torrejano/Cabo-verdiano, Aníbal Teixeira de Sousa, filho do saudoso escritor Teixeira de Sousa, que a linda aldeia de Fontainhas, na Ilha de Sto. Antão, mais concretamente no “meu” concelho da Ribeira Grande, foi considerada a segunda aldeia com “a vista mais bela do mundo”, ela que em si própria, é uma aldeia de sonho. Assim classificada pela National Geographic, a dimensão e a credibilidade da decisão é acrescida.
Parabéns ao Povo de Fontainhas, a Sto. Antão e a Cabo Verde.
Sou um dos muitos que dizem e agora com mais oportunidade o digo, que a ilha de Sto. Antão no seu todo, deveria ser classificada como Património da Humanidade.
Aliás, há quem lhe chame o presépio vivo de Cabo Verde, muito em particular durante a noite. E eu concordo! De noite, “aquilo” é um autêntico presépio, não sendo por acaso, que a capa do meu primeiro livro sobre Cabo Verde, tenha a foto da aldeia de Fontainhas.
Um povo bom e carinhoso nos acolhe de braços e de portas abertas, que oferecem o que têm. Recordo-me de um dia, lá em Fontainhas, ter recusado uma laranja que uma senhora, dentro de sua casa, me quis oferecer. Alertado para a minha “indelicadeza”, voltei atrás e saboreei o fruto para deleite da velhinha. E lá, também ouvi um fontainhense descrever toda a história de Portugal, como poucos por cá o sabem fazer…
Fontainhas passará a ser um local de visita. E ainda bem, porque Sto. Antão tem muito para visitar e saborear, para além da daquele local mítico. Sto. Antão é e ainda mais será, com esta novidade, uma ilha de turismo.
Pela simbologia do local, pela sua beleza, pelas pessoas e pela dimensão deste fantástico país que é Cabo Verde, vale pena visitar Sto. Antão.
Aos meus Amigos Orlando Delgado e Jorge Santos endereço um abraço de parabéns extenso a todos os amigos da Ribeira Grande.
António Rodrigues
sábado, 6 de dezembro de 2014
Judite e Ronaldo
Este par de Portugueses ensinou o país a melhor perceber os contrastes da vida. A tristeza suprema fruto da desgraça maior, de mão dada com a força da vida, assente na esperança de que tem 29 anos.
Tal como o malogrado filho da jornalista.
O Abraço de Timor à Guiné Bissau
Como há dias dizia Luís Amado em entrevista a RR, Xanana instalou uma autêntica Secretaria de Estado em Bissau, com o objectivo de promover todo o processo eleitoral naquele quase abandonado país da CPLP.
E foram oito meses de intenso trabalho e milhões de dólares investidos por Timor neste processo. Com as “máquinas às costas” calcorrearam montes e montanhas e, de aldeia e em aldeia, promoveram o recenseamento e, com ele, a preparação dos actos eleitorais. Com os computadores, as máquinas para emissão dos cartões eleitorais e, com elas, o espirito da solidariedade para com um povo dela bem carente, tudo paulatinamente, foi conseguido. Tudo!
Muitos dos que antes olharam com desconfiança e até desdém, o papel e o contributo de Timor, foram obrigados a vergar e, mais do que isso, a aprender a lição. A lição de dois pequenos países onde há gente grande, de coragem e de saber. E de querer!
Este sim, o verdadeiro espírito da Lusofonia e a entreajuda que deve nortear o caminho político da CPLP…
O morcego e o passarinho
Num país em que os reformados têm sido espoliados dos seus direitos e os mais jovens são convidados a emigrar na procura de melhor vida, choca que o PS tenha ido neste engodo… e nesta confusão.
Sim, porque se o PS em questões se interesse nacional, raramente e muito bem, se entendeu com esta maioria que nos desgoverna, ficamos com a boca a saber a jornal quando ele aparece coligado a este adversário neoliberal e o mais desumano do pós 25 de Abril … ainda se estivesse em causa o tal interesse nacional…vai que não vai… há que explicar melhor… para melhor se perceber.
Como dizia o outro, “passarinho que acompanha morcego amanhece de cabeça para baixo…
António Rodrigues
Se isto não é Amor
Aeroporto de Schiphol de Amesterdão.
Surpreendi-me porque a senhora vinha em cadeira de rodas, conduzida pelo companheiro.
Ambos, sem o parecer, terão mais de 70.
E ambos elegantes e bonitos. Ela, apesar de tudo, tem a memória física de uma jovial beleza que o tempo disfarçou, mas não matou.
A senhora tem problemas de saúde e sérios. A sua expressão de profunda tristeza, estampava-se numa cabeça trémula, que deambulava quase descontrolada sobre os ombros magros. Mas elegantes, como toda ela.
De olhos azuis, por vezes escondidos pelo cabelo louro que desordenadamente lhe caia sobre a face, com a ajuda do companheiro, levantou-se da cadeira. E, nesse instante, o susto foi ainda maior… o desequilíbrio era tal, que parecia que cairia a todo o momento. Dava essa impressão, mas os pés estavam bem colados ao chão e isso era a garantia da sua segurança.
Dois copos de plástico na mesa. O dela com palhinha.
O esforço que ele fez para lhe conseguir colocar a palhinha. Mas conseguiu e ela, com muita dificuldade, sorveu a frescura da água. Acto contínuo, ela com a cabeça sempre deambulando, estendeu o trémulo braço direito dirigida à face do marido e, com a mão bem aberta, acariciou-a. Ele responde-lhe com um olhar penetrante de “estranha” felicidade, com uns olhos que brilhavam como duas pérolas.
Que beijo aquele… e a senhora voltou a sorrir…
Ajudou-a a levantar-se. Mais uma vez temi que caísse.
De mão dada afastaram-se lentamente.
sábado, 18 de outubro de 2014
Francisco, o Operário
Canais Rocha foi sindicalista de referência e grande intelectual, discreto… quase envergonhado. Homem culto e profundo conhecedor da História do séc. XX, em particular a do operariado, Mestre em História Contemporânea, leva consigo conhecimentos e saberes invulgares.
Por deliberação do dia 30 de Setembro de 2003 foi homenageado pela Câmara Municipal de Torres Novas com a Medalha de Mérito Municipal da Cultura, que solenemente lhe foi entregue a 19 de Outubro do mesmo ano, em cerimónia realizada no Castelo da cidade.








