A mais pequenina

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Princesa

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Perdoado seja!

Não julgueis, pois, para não serdes julgados; porque com o juízo que julgardes os outros, sereis julgados; e com a medida com que medirdes, vos medirão também a vós. (Mateus, VII: 1-2).

Exactamente isto que os católicos professam e procuram incutir ao próximo. E bem!


D. Policarpo disto se esqueceu e foi por aí acima e julgou de uma forma arrogante toda a classe política portuguesa.

Segundo ele, ninguém sai da política com as mãos limpas. Ou seja, ninguém é honesto! E, se são todos, como afirmou, o epíteto a todos a abrange, desde o mais alto magistrado da nação ao mais simples autarca de freguesia.


Ora isto é grave. Muito grave, vindo de onde veio.


Assim não!


Gostaria o prelado, que em contexto idêntico, se afirmasse que todo o clero católico não tem a alma limpa?

Um clero que ultimamente ocupa parte do seu tempo a lamber as feridas das asneiras de alguns, que não podem nem devem comprometer o todo, e que volta e meia, obriga a consecutivos envergonhados pedidos de desculpas?


Foi infeliz a afirmação, mas tornar-se-á desgraçada, se o chefe da Igreja portuguesa, não emendar a mão e perceber que é feio julgar os outros.

Exactamente as postura que o próprio já aconselhou nas suas homilias.

Porque no melhor pano cai a nódoa, só me resta esperar que Deus lhe perdoe…



António Rodrigues

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Enganados com lágrimas

Continua por resolver a situação dos médicos enganados.

Que vieram da Costa Rica, com força e vontade de ajudar quem os chamou.

Vieram para trabalhar e, de certo modo, cooperar. Nem trabalham, nem cooperam.

Sendo jovens, sentem-se – como dizem – reformados.

Recebem sem trabalhar!

Sentem-se inúteis e, mais do que isso, enganados.

Num país que se debate com falta de médicos, - por isso vieram – ter estes homens e mulheres parados e a receberem o seu vencimento, para além de uma ofensa à dignidade dos próprios, é também um insulto a todos os que sentem na pele os sacrifícios que a crise impõe. Os utentes, que tanto reclamaram a vinda destes médicos, não percebem a situação e já os julgam, injustamente, de turistas.

Se houve, quem no passado recente decidiu mal, urge agora resolver bem.

Não fez sentido manter esta situação por tempo indeterminado. E, muitos menos, serem estes profissionais, vítimas de eventuais retaliações políticas.

Como foi possível contratar estes técnicos de saúde, se entre os dois países não há Convénio de Reciprocidade?

Quem é ou são os responsáveis por este embuste político?

Exige-se respeito!

Em primeiro lugar, porque são pessoas, afastadas da família e de amigos, que não merecem, de modo algum, este tratamento a que estão sujeitos.

Em segundo lugar, pelas populações às quais foram criadas expectativas de verem os seus problemas de assistência médica resolvidos.

Em terceiro, não sendo fortunas, estão em causa dinheiros públicos esbanjados, com conhecimento de quem manda e tem obrigação de decidir; nem que a decisão seja o regresso digno deste enganados.

Enganados com lágrimas, como há dias presenciámos.

Um deles, não as conteve, em sinal de revolta.

E de espanto!

E de saudades!

Da família e do país, que os formou médicos.

Para trabalharem!



António Rodrigues


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Malaca - 500 anos



Para alguns poderá ser insignificante que, ante ontem, se tenham passado 500 anos em que nós, os portugueses, tomámos Malaca.


Foi a 15 de Agosto de 1511.


Na linguagem de contexto histórico é assim que se deverá escrever, sem complexos e sem traumas. É precisamente por causa dos complexos e dos traumas em torno da nossa História que, vá lá saber-se porquê, se instalou após a Revolução, que esta data passou despercebida a quase toda a gente. Aliás, como outras ainda mais importantes.


Perguntar-se-á se é assim uma data tão significante para ser recordada?


Claro que é?


Num país em que tudo se comemora, recordar este feito determinante para a expansão marítima portuguesa não seria descabido, antes factor de exaltação dos feitos da nossa gesta marítima.


“Lá no grémio da Aurora, onde nasceste, opulenta Malaca nomeada[1], assim Camões a cantou nos Lusíadas, não só pela sua beleza natural mas acima de tudo pela sua importância de base estratégica, na presença portuguesa no Oriente. Aliás, foi de lá que as naus portuguesas “desceram” mais para sul, até à ilha de Timor, em busca do sândalo. Para alguns historiadores, ali terão chegado por volta de 1512, para outros, 1513 ou mesmo 1514. Estou mais inclinado para a primeira hipótese.


“…Afonso de Albuquerque foi, não só, o verdadeiro fundador do “império” português na Ásia, mas também a melhor garantia da sua permanência. Em pouco mais de seis anos, ancorara os Portugueses no oceano Índico oriental pela conquista de Malaca (1511), controlando assim o tráfico marítimo com o Pacífico; impusera a autoridade e suserania portuguesas sobre Ormuz, dominando o golfo Pérsico (1507-15); e estabelecera uma base territorial para a sede da administração portuguesa pela conquista de Goa (1510)”.[2]


É neste contexto explanado por Oliveira Marques que se deve entender a importância de Malaca para suserana presença das forças portuguesas numa lógica dominadora de todos os mares do oriente. Presença que se manteve até 1641…


Seguramente, quero acreditar, que terão havido excepções, e esta data terá sido lembrada e devidamente reconhecida, aqui ou acolá; mas a verdade é que não foi notícia, num país em que tudo é notícia, mesmo os casos mais escabrosos e destituídos de qualquer interesse, que não seja o comercial.


E Malaca, nos dias de hoje, apesar de tudo, continua a recordar Portugal.


Lembremo-nos do velho Bairro dos Portugueses, onde ainda se fala português. O velho português como gostam de lembrar. E em língua lusa rezam, muito em particular nas missas, algumas delas celebradas em antigas garagens. E persistem, para além das igrejas católicas, ruas com toponímia portuguesa e, mais importante ainda, a velha fortaleza “A Famosa”, construída pelos lusos navegantes, onde ainda impera a lendária Porta de Santiago. E, sem raiva, os “portugueses” de Malaca lamentam que os portugueses deles se tenham esquecido, não deixando, no entanto, de organizar todos os anos as festas de S. João e de continuarem a ouvir o fado.


Apesar de tudo, é justo lembrar que, com o apoio do Instituto de Camões, há crianças em Malaca a aprender a língua portuguesa…


É bom, também por isto, lembrar Malaca!


Pelo que ela simboliza e pela importância que tem na nossa História.


Fica 148 km a sul da capital da Malásia, Kuala Lumpur, e é desde 2008 Património Mundial da Humanidade.




António Rodrigues



17 de Agosto de 2011








[1] Os Lusíadas, X, 44



[2] Marques, A. H. Oliveira – Breve História de Portugal, Editorial Presença - 6ª Edição, 2006 – pág. 212

sábado, 13 de agosto de 2011

Hino à Memória

Desgosta-me que a esmagadora maioria dos portugueses não conheça a sua História. Que ela não seja devidamente estudada e, até, em alguns pormenores, exaltada pelos nossos alunos e pela Nação.

Um povo que não conhece o seu passado, tem dificuldades em ultrapassar os problemas do presente e desacredita no futuro.


No pós 25 de Abril, a história de Portugal, foi renegada de forma estranha, em boa parte dos currículos escolares. Momentos houve, que mais parecia ter-se vergonha dela.

Nenhum governo, à excepção do actual, (ainda não houve tempo) deu ao ensino da História o lugar e a importância que ela justifica. Como é possível moldar-se a identidade de um povo, sem que este tenha conhecimento cabal das suas raízes históricas?


Dizia, o ano passado, o embaixador do Japão em Portugal, em entrevista ao jornal Expresso, não entender como era possível os portugueses não estudarem nem aprofundarem a sua história. No Japão, dizia então ele, os alunos estudam a importância da presença dos portugueses, no séc. XVI, naquele país. Dizia, também, nessa entrevista de Julho de 2010: “estão a perder a vossa memória.”


Podemos perder a memória, mas a nossa História, jamais será apagada.

Vale a pena ler, de seguida, o extracto que ousei transcrever, da autoria de um austríaco (!!!) que escreve assim sobre os portugueses:


“Seja como for: o feito decisivo está concluído. Pela primeira vez foi finalmente possível determinar com exactidão o perfil geográfico do continente africano, pela primeira vez comprovou-se e demonstrou-se, contra Ptolomeu, que se podia chegar à Índia por mar. Na geração que se seguiu ao infante, os seus pupilos e herdeiros tornaram realidade o sonho da vida do seu mestre.

É com assombro e inveja que o mundo volta agora os olhos para este pequeno povo de marinheiros que havia passado despercebido no canto mais recôndito da Europa. Enquanto as grandes potências – França, Alemanha, Itália – se dilaceravam em guerras absurdas, Portugal, essa gata-borralheira da Europa, tinha alargado mil, dez mil vezes, o seu espaço vital; por muito que se esforcem, já ninguém conseguirá pôr em causa este imenso avanço. Da noite para o dia, Portugal tornou-se na primeira nação marítima do mundo, conseguindo garantir, com o seu esforço, não só novas províncias, como também mundos inteiros. Uma década mais tarde, a mais pequena entre as nações europeias irá reivindicar a possessão e a administração de mais área terrestre do que a ocupada pelo império romano na época da sua maior expressão.


… Mas o heroísmo é sempre irracional ou anti-racional; sempre que um homem ou um povo se lançam numa aventura que ultrapassa os seus limites efectivos, também as suas energias aumentam até atingirem um nível nunca antes suspeitado: talvez nunca nenhuma outra nação se tenha unido de forma mais primorosa num único momento de vitória como o Portugal de finais do século XV: de repente, o país não criou somente o seu Alexandre, os seus Argonautas, em Albuquerque, em Vasco da Gama, em Magalhães; criou também o seu Homero, em Camões, o seu Lívio, em Barros. De um dia para o outro, estavam lá os sábios, os construtores, os grandes comerciantes: tal como na Grécia de Péricles, na Inglaterra de Isabel, na França de Napoleão, um povo concretiza, de forma universal, a sua ideia mais íntima e apresenta-a, enquanto feito visível, a todo o mundo. Durante aquela inesquecível hora terrena, Portugal é a primeira nação da Europa, guia da humanidade.”[1]


Seria tão bom que muitos lessem isto!


E, porque não, também os da troika?





[1] Zweig, Stefan – Magalhães, o homem e o seu feito – Assírio & Alvim, Março 2007 – pág. 29 a 31



























sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Médicos com Fronteiras




Vieram com entusiasmo.


Para Torres Novas e outros concelhos da região.


Tudo foi bem divulgado, porque finalmente uma parte das populações concelhias voltaria a dispor do seu médico de família.


E vieram médicos da Colômbia e da Costa Rica. Jovens com entusiasmo a quem foram exigidos exames para a “equivalência de competências”. E fizeram-nos!


Os jornais divulgaram e as populações sentiram que, uma parte do seu problema, estaria resolvido. Por isso, a iniciativa foi aplaudida.


Nada mais falso!


Quando no dia 5 deste mês se tentou fazer o ponto da situação e saber como estava a evoluir a vida social e profissional destes médicos, a surpresa foi total:


Ainda não trabalham, já lá vão três meses.


Apesar do Estado português lhes pagar o vencimento, os médicos sentem-se enganados e sentem-se mal. Receber sem trabalhar não consideram que seja sensato e justo, o que é natural. E desesperam para que venha uma solução.


Ao que parece, não haverá “Convénio de reciprocidade entre Portugal e Costa Rica”.


A ser verdade, porque não se acautelou previamente a questão?


A ser verdade, porque partiram dos seus países, sem estarem devidamente informados e esclarecidos de todos estes problemas.


E porque não foram as restantes entidades envolvidas no processo, informadas de tudo isto?


Na verdade, pura e dura, brincou-se de forma leviana com muita gente, em especial com os próprios médicos. Que se sentem, sem o quererem, turistas à força num país que os chamou para ser médicos.


E que o são, mas com fronteiras…



António Rodrigues

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A gravata

Estado de graça? Sim, é normal.

Aliás, é desejável que se mantenha, porque seria sinal de que a governança do país irá no bom caminho.

E, para mim, o País é o que conta; primeiro que tudo.

Há demagogia?

Claro que há.

Ela, infelizmente, faz parte do jogo político, e é directamente proporcional ao estado de graça de quem a usa. Convém, no entanto, que não se abuse.

O desejo que temos de ver o nosso País sair do estado em que se encontra, desejo sincero, porque temos a obrigação de deixar algo de bom aos nossos vindouros, sejam os filhos sejam os netos, não nos pode, no entanto, retirar o nosso sentido crítico.

Todo este estado de espírito torcendo para que tudo corra bem, também não nos pode inibir de nos rirmos e espantarmos com alguns comportamentos. Desde logo, o de alguns comentadores, quais vacas sagradas deste país, quais sumidades raras, superiores ao comum dos mortais que nos vão governando.

Como eles mudaram de opinião tão depressa.

Sempre que, há uns meses atrás, uma agência nos desvalorizava financeiramente, lá vinha o fado do ataque a Sócrates, às suas mentiras e à sua má governação.

Veio a troika, abençoada pelos maiores partidos e, com ela, impuseram-se aumentos de impostos e cortes no subsídio de natal. Mais, ao que parece, do que tinham exigido os credores; mas, nem por isso, uma agência dessas que atrás referi, nos deixou de considerar lixo. Como já não há Sócrates, mas há estado de graça e seria injusto acusar o actual governo, o problema agora já não aquele, antes o ataque ao euro e os interesses subterrâneos em proteger o dólar. O incompetente deixou de ser o ex-primeiro, para passarem a ser também as agências de rating.

A volta que isto levou, meu Deus.

Mas se isto incomoda, muito mais incomoda que a RTP, na abertura do telejornal, tenha pela boca de Rodrigues dos Santos, lançado a bomba logo na primeira expressão da noite: SOMOS LIXO.

Primeiro, pensei que a frase faria sentido, pois julguei que o homem se estava a referir à generalidade dos programas que as televisões não vão impingindo. E, como era uma afirmação na televisão…

Afinal, enganei-me. O lixo seria o país e, com ele, todos nós. Por causa da tal agência que assim nos classificou.

Foram poucas as vozes que se insurgiram contra esta ofensa.

Mais do que isso, o termo pegou porque agora, quando se quer criticar qualquer assunto de forma muita negativa, poupa-se nas palavras: é lixo.


Por falar em poupar, hoje fiquei encantado porque uma ministra do governo da nação, que dispensou os seus assessores de usarem gravata, pelo menos no verão.

E porquê? Para se poupar no ar condicionado! Diz a governante.

Faço votos que tudo corra bem, caso contrário, corre o risco de gastar em perfumes o que poupará com a ausência de frescura.

Santa demagogia, que tem honras de primeira página de jornal e atesta quão bom viver em estado de graça.

Aproveitem e que perdure por muito tempo.

Seria bom sinal.

António Rodrigues

14.07.2011

sexta-feira, 24 de junho de 2011

MULHERES

Não votei para este governo.

No entanto, o momento que se vive não é para qualquer tipo de brincadeiras e, muito menos, disputas partidárias.
Este governo não pode falhar porque, se tal acontecer, é o país que falha. É o futuro próximo dos nossos filhos e netos que está em causa.


E eu gosto muito mais deles, do que de qualquer partido.

Por isso, não sendo um apoiante político deste governo, espero e desejo que este grupo de jovens neoliberais que compõem a actual equipa governativa, consiga resolver o problema grave que o país atravessa.


Estamos numa fase, a de arranque da nova governança, em que é lindo assistir à fantástica dose de demagogia que nos tem sido oferecida pelos actores da vitória.

Paradoxalmente, percebe-se que assim seja.


É a euforia do estado de graça e o entusiasmo próprio de que tem vontade de andar para a frente. Vamos aguardar o que para aí vem…


Mas o espantoso, é que o que era encenação e teatro de Sócrates, o tal do mau feitio, nestes, de bom feitio, tudo é natural e exemplar. De tal forma que, a mesma comunicação social que detestava o teatro socrático, adora agora estas cenas que parecem enriquecer a qualidade governativa dos recém eleitos.

Mudam-se os ventos, mudam-se os comportamentos.

Falemos das Mulheres.

1ª Ana Gomes

Não gosto nem nunca simpatizei com Ana Gomes.


Mas ela, a tal que hoje é desbocada, foi heroína no tempo de Sócrates. E assim o foi, para a comunicação social, qual Joana d’Arc , precisamente porque atacava o seu próprio partido.

Atacava Sócrates.

Que mulher de coragem, de grande lucidez e sentido de Estado, escreviam e diziam então, os mandantes opinião publicada portuguesa.

A mulher continua a ser a mesma desbocada de sempre. Mas pobre dela, esqueceu-se que mudaram as regras. Abriu a boca, qual desbocada invertebrada, para criticar um membro do actual governo e os mesmos que a considerava heroína, quase a desancaram e mandaram calar. E passou a ser uma desbocada que, parece, d’ora em diante melhor se cale para sempre.

Claro que exagerou no que disse, mas também exagerou no passado recente quando atacava Sócrates.

2ª Laura Ferreira

Foi bom, em minha opinião, ver um primeiro-ministro ladeado da mulher, Laura, na vitória e na tomada de posse.

Não é obrigatório, nem isso fará do homem melhor ou pior político. Mas é bom que, com estes gestos e comportamentos, se reforcem sinais de família e, acima de tudo, o papel importante que pode e deve ter a mulher do primeiro-ministro, em acções colaterais às do próprio governo.

Para alguns poderá esta posição ser conservadora.

E é mesmo.

Porque defendo a família e, ainda, pelo simples facto de me conservar admirador de mulheres e, simultaneamente, defensor do papel activo que todas elas devem ter na sociedade portuguesa.

Gostei


3ª Assunção Esteves

Mas o melhor foi, de facto, a eleição da Presidente da Assembleia da República.

Que rasgo de magia política.

De uma assentada, anularam a trapalhada da não eleição do sr. Nobre e colocaram na cadeira da presidência do parlamento, uma mulher nobre.

Mulher tão bonita quanto inteligente.

São acertadas estas renovações, que limpam algum “cinzentismo” que pairava na nossa vida política e dão lugar à frescura de novas imagens, para o nosso imaginário colectivo.

Não só gostei, como me emocionei com a eleição desta mulher, com a sua intervenção e com a quase unanimidade de aplausos que o parlamento lhe ofereceu.


Coisa tão rara!

Foi bom. Muito bom.

Finalmente temos uma presidenta.


António Rodrigues


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Suprema Humilhação


A suprema humilhação política para o nosso país, foi-nos oferecida numa bandeja de barro pela tal troika de que tanto se fala. A que mandou gente para Portugal e que, em três semanas, impôs à outra troika (PS; PSD E CDS) aquilo que estes, durante anos nunca quiserem assumir. Teve que vir gente de fora, que trabalhando no duro, apresentou medidas que há muito se percebia – umas mais que outras – teriam que acontecer.



É uma imagem triste.


Chumba-se o PEC IV, com o pretexto que depois dele viria o V e o país não aguentaria. Como também disse Cavaco no discurso da pré-demissão do governo, aquando da sua tomada de posse.


Afinal de contas, a troika impôs muito, mas muito mais, do que previam todos os PEC’s juntos.


E, aqueles que o chumbaram, vão cordeirinhos aprovar e assumir as medidas da troika.


Fiquem descansados que se formos governo, nós cumpriremos.


O PS fez coro e disse o mesmo. Ou seja, todos a assinaram a cartilha da nossa incompetência e falta de coragem política. Todos assumiram, preto no branco, que sem a troika, as medidas de coragem para Portugal recuperar, não seriam conseguidas sem imposição do exterior. Porque, quem está no poder, tem sempre a oposição do outro, ou dos outros… independentemente de quem governa e de quem é oposição.



E para que servem os debates que antecedem o acto eleitoral que aí vem?


Para nada!


Tal como os deputados que vão para Parlamento que não vão servir para nada. Ou por outra, vão servir para levantarem o bracinho para votarem o que decidido está.


Ao que chegámos! …


Tudo está decidido e tudo tem que ser cumprido.


Não há margem de manobra. Ou então não haverá dinheiro…


O que me espanta é que nas medidas da troika ninguém escreveu uma palavra para se acabar com os Governos Civis.


Ninguém escreveu uma palavra para acabar com as Assembleias Distritais.


Ninguém escreveu uma palavra para se acabarem com ordenados de dezenas de milhares de euros mensais verificados nas empresas públicas, muitas delas falidas. Uma vergonha que só não incomoda (ao que parece) quem os recebe.



Ninguém escreveu e ninguém aborda esta questão nos debates. Porquê?


Não me choca o fim previsto de algumas pequenas freguesias, que a troika impôs e que eles assinaram.


Mas choca-me muito mais, que o Presidente da EDP, entre outros casos escandalosos, ganhe mais num ano (3 milhões de euros) do que todas as Juntas de Freguesia que irão ser extintas gastariam juntas em todo um mandato de 4 anos.


Demagogia? Não!


Vergonha! Sim!


E outra forma de humilhação.



António Rodrigues


13 de Maio de 2011


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Portugueses ou herdeiros dos Portugueses?

Portugal está numa fase da sua vida colectiva em que não adianta procurar culpados, num processo em que ninguém está isento de responsabilidades.

Ninguém!
É, pois, por isso importante, apontar o dedo ao que tem que ser corrigido, para que possamos levantar a cabeça e esquecer a humilhação a que alguns políticos deste país nos sujeitaram.

A Portugal não assiste só o problema da falta de dinheiro. Sendo importante o dinheiro, há outros aspectos determinantes, entre eles a autoridade e o trabalho. Aliás, são vergonhosas as expressões que vêm da Europa em que de uma forma clara e objectiva nos mandam trabalhar para sermos credores de respeito e, mais do que isso, da solidariedade que procuramos.

Porque seremos assim?
Que sina é a nossa?
Que identidade a nossa?

E a nossa História nada nos diz
É impressionante o que já fomos e o que hoje não somos.Lembram-se do Tratado de Tordesilhas? Demo-nos ao luxo de juntamente com a Espanha dividirmos o mundo em duas partes: o que descoberto estava e o que ainda faltava descobrir.

D. João II foi a referência da estratégia e da aventura calculada, com Henrique na senda dos descobrimentos.
Porque tínhamos poder e éramos respeitados. E descobrimos o mundo, onde o caminho marítimo para a índia, mudou toda a lógica da navegação mundial e a interpretação geográfica até então conhecida. Não foram só os países que hoje compõem a Lusofonia, que os lusos navegantes descobriram. Andámos, melhor dizendo, navegámos por todo o lado. E descobrimos por todo o lado.
O que fizemos em África, na América, na Índia, na China, no Japão e na Insulíndia, onde Malaca e Timor, foram símbolos da nossa capacidade empreendedora? Por todas aquelas paragens deixámos a marca dos nossos costumes, a presença da nossa língua e os laivos do cristianismo.
Fomos assim.
Perfeitos?
Não!
Mas fortes e respeitados, porque empreendedores. Não dependíamos de muitos e muitos dependiam de nós.

Hoje dependemos de muitos e poucos dependem de nós.

Inverteram-se os termos.
Não aceitamos a autoridade. Confundimo-la com a liberdade.
Não aceitamos personalidades de referência, porque para isso já bastou o antes do 25 de Abril.
Não aceitamos, assumamos isso, uma autoridade que nos governe. Confundimo-la com ditadura.
O Presidente da República não tem poderes, e os poucos que tem, para muitos serão de mais.
Os governos nunca prestam e tem constantes barreiras para governarem.
Os ministros regra geral são sempre incompetentes e assim caracterizados ainda antes de tomarem posse.
As oposições, sejam quais forem e no tempo que for, nunca reconhecem méritos a quem governa.

Fazem-se julgamentos sumários na comunicação social, qual Inquisição do séc. XXI.
São elevados a heróis os pais que fecham escolas porque faltou um auxiliar o que agridem o professor porque ralhou com o menino. Tudo isto impunemente sem reprimenda das justiça, antes consagrados como corajosos em aberturas de telejornais.
A autoridade e o respeito pelo outro, são valores cada vez menos observados na nossa comunidade. Quem os defende é bota de elástico, conservador e antiquado… fascista e ditador muitas vezes.
Por estas e por muitas outras, chegámos onde chegámos.
Repito, dependemos de muitos e poucos dependem de nós. E, os estendermos a mão para pagarmos o que devemos, mandam-nos trabalhar. Uns, dizem-no em alto e em bom tom, outros, na surdina que a diplomacia sugere…

Suprema humilhação! Suprema vergonha a herança que deixamos aos nossos filhos e netos.
Brevemente teremos eleições. Para quê?
Para quase nada!
Tudo ou quase tudo está ou vai estar decidido pelos nossos credores.
Pouco mandará o próximo governo. E, como os outros, que ainda não foi eleito, será incompetente e incapaz. Manter-se-ão as zangas e os desentendimentos entre lideres partidários. E a má educação que os tem caracterizado, onde a Assembleia da República é palco privilegiado.

E a falta de respeito por quem sofre as consequências da crise.
Porque ainda não se aperceberam que o Estado português faliu.
Miseravelmente falido.
Por causa deles.
Por culpa nossa.
E minha também.

É caso para perguntar:
Somos portugueses ou herdeiros dos portugueses?

António Rodrigues

22.04.2011

sábado, 2 de abril de 2011

LIXO


Desde o dia 23 de Março que as taxas de juros para os empréstimos ao Estado Português não param de subir.


Estavam na altura a 7,7%, para, nove dias depois se situarem muito próximo dos 10%. O rating da dívida da república caiu para níveis tão miseráveis que se aproximam da expressão mais desgraçada que (não) se pode dirigir a quem quer que seja, muito menos a um país: lixo!


Também ao nível da banca portuguesa esses mesmos índices já ouviram a mesma adjectivação: lixo.



Foi para o lixo que nos mandaram aqueles que, cada um com a sua quota-parte de responsabilidade, recusaram o PEC que e Europa nos impôs. Impôs a este governo e imporá ao próximo. E com agravantes.


É óbvio que a nossa soberania, pelo menos a financeira, já só existe no papel.



E quem vai pagar e sofrer com tudo isto?


Os do costume.


Aqueles de quem ninguém se lembra quando se tomam decisões que nos levam para o charco. Os que trabalham no duro e pagam impostos, sejam patrões sejam empregados. Os que trabalham sem grande esperança no futuro melhor.


Pelo menos o próximo.



Estão “no lixo” as contas públicas. Está no lixo a dignidade do estado português. Está no lixo a coerência política daqueles que em tempos de votos, fazem coligações atípicas e oportunistas. E fazem-no parlamento também ele atípico e incompetente, mas sob o pretexto da liberdade, da democracia e dos interesses nacionais. Corrijo, partidários.



E o país que está à beira do “lixo” financeiro, carregado de desemprego e crises sociais, permite que empresas públicas, geridas também com dinheiros dos contribuintes, muitas delas com prejuízos constantes, paguem aos seus administradores, centenas e centenas de milhares de euros anuais, a somar a outras mordomias indecorosas.



E estamos também no lixo, porque o pior que pode acontecer a um país é o Povo perder a confiança em que o governa ou na alternativa que se apresenta para a governança.


E é nessa que estamos.


No descrédito absoluto. No mesmo descrédito oferecido pelada I República e que abriu as portas à ditadura.



Hoje o “lixo”, ontem, a “choldra” de Eça de Queiroz, quando se referia à situação politica nacional de então.



Ontem a monarquia, hoje a República.


Mas, tal como Eça salvaguardava, há que dizer alto e em bom tom: o português é extraordinário. Tão extraordinária que tem tido paciência e coragem para aguentar e aturar tudo isto.



Até quando?



Fica a foto como sinal de esperança.


Que não se pode nem deve perder.



António Rodrigues


2.04.2011

sábado, 19 de março de 2011

Não brinquem mais com o Povo


É vergonhosa a situação política e partidária que se vive no país.

Começa a ser revoltante a forma como se joga o xadrez do poder, tendo como tabuleiro toda uma população que anda farta deste tipo de actores políticos. Ou, pelo menos, de alguns deles. E, como na vida, neste jogo quem se trama é o peão.

Quando o país chega ao que chegou, e os dois maiores partidos políticos não se entendem, quando eles são os principais responsáveis da governação no pós 25 de Abril, então é quase certo que não se pode sonhar com o entendimento tão necessário e desejável, quanto mais grave é a situação social e financeira de Portugal. Quando se diz que os mercados, para baixarem os juros, exigem medidas duras e de austeridade, interrogo-me muitas vezes se um entendimento político em Portugal e uma consequente governação mais serena, não seria, também, o antídoto de excelência para a tal redução dos juros.

Mas não há entendimento e quem suporta os juros que se pagam, são os impostos que todos, ou quase todos, suportamos.

E, neste gravíssimo desentendimento político que vivemos, é também preocupante que o país tenha perdido, uma voz que procure o entendimento. Quando seria de prever que o Presidente da República viesse a ser factor de união e de conjugação de esforços na busca de algum entendimento estratégico para Portugal, eis que assumidamente se demitiu desse desiderato. Rompeu essa postura no discurso da sua tomada de posse.

É penoso viver num país, em que parece que o único que puxa por ele, é o primeiro-ministro. E tudo o que o homem faz, tudo, é mal feito aos olhos da oposição. O mesmo acontecerá, quando um dia outro vier para o seu lugar. A nossa “cultura” é dizer sempre mal de quem governa. Mal da pessoa e mal da governação.

E estamos, também, encharcados de jornalistas e comentadores que, salvaguardando honrosas excepções, muitas vezes se confundem ora, no papel da oposição ora, no papel da justiça televisiva, tão primária quanto imbecil.

Mas seria bom que quem governa ou quem queira vir a governar, se lembre por uma vez, que povo que sofre e não tem emprego, não come nem colheres de liberdade e muitos menos pratos de dialécticas políticas, que hoje inundam e imundam a cena política nacional.

O povo que vive sem esperança e suporta as consequências da crise, não come colheradas de guerras partidárias e muito menos se auto-sustenta com a ambição dos que detêm o poder o querem manter e, muito menos, daqueles que não o tendo, não olham a meios para o conseguir.

O país está exausto de tanta conversa.

E de tanta discórdia.

Própria, é certo, de uma democracia, mas desadequada num país que vive a sua sobrevivência financeira, de mão estendida para o estrangeiro. Que também começa a ficar farto de nós… e que começa a dizer, falem menos e trabalhem mais.

Olhe-se para os juros e para o facto de sermos o quarto país no mundo que mais se endividou nos últimos 10 anos.

Lembro-me daquela menina goesa, Sandra Maria, que vivendo em Pangim, Goa, e falando-me num português impecável dizia: adoro Portugal.

E vê a RTP internacional. Gosta do Malato e do Preço Certo; “mas não vejo os telejornais porque vocês andam sempre zangados e a dizer mal do vosso país”.

E eu gosto muito de Portugal!

Dizia ela.

E eu também.

António Rodrigues

19.03.2011